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Ladrilho hidráulico, uma invenção francesa

By 17 de julho de 2020 No Comments

Em 1817 o engenheiro francês Louis Vicat desenvolveu as bases do que viria a ser o cimento, invenção patenteada em 1824, pelo empresário britânico Joseph Aspdin, com o registro da formula muito próxima do que hoje é conhecido como cimento Portland.

Pavin de Lafarge, também engenheiro, instalou sua primeira fabrica de cimento em Ardèche em 1833, transformando a região em um grande polo cimenteiro. A Lafarge é até hoje a maior cimenteira do mundo com 166 fabricas em diversos países. Foi na região de Ardèche que foi usado o cimento comprimido com uma prensa, ideia do empreiteiro de obras públicas Etienne Larmande, conseguindo assim um produto com custos de fabricação consideravelmente reduzidos. Auguste Lachave ajuda Etienne Larmande a projetar as primeiras prensas e moldes para desenhos que permitem a incorporação de cores e patenteiam o processo em 1851.

Importante registrar que antes da invenção do ladrilho de cimento, o mármore, os mosaicos, e cerâmicas queimadas eram usados apenas para palácios, mansões ricas e edifícios religiosos.

É desta época a renovação de Haussman, para a capital francesa e seus subúrbios. A reforma provoca a demolição de bairros inteiros ainda medievais, constrói amplas avenidas, novos parques e praças e constroe novos esgotos, fontes e aquedutos. As calçadas e construções, com novos produtos divulgados na Exposição Universal de 1867 de Paris tornam o Ladrilho Hidráulico conhecido e ele passa a ser reproduzido praticamente no mundo inteiro.

Napoleão III instruiu Haussmann a trazer ar e luz ao centro da cidade, unificar os diferentes bairros com avenidas e tornar a cidade mais bonita. A Avenue de l’Opéra, criada por Haussmann, pintada por Camille Pissarro (1898). Wikipedia. A direita ladrilho hidráulico antigo em Paris.

Ladrilho hidráulico Frances antigo.

LADRILHO HIDRÁULICO NO BRASIL

Em 1874, ainda no império, instalou-se a Comissão de Melhoramentos da Cidade do Rio de Janeiro. A capital brasileira também passou a buscar soluções para seus problemas resultantes da ocupação desordenada. A cidade era carente de saneamento, pouco arejada, sem ventilação e iluminação. E o Rio queria ser Paris.

Com o advento da Republica, o governo queria mostrar um pais próspero e voltado para a modernidade e no inicio do século começa uma série de obras. Uma lei do senado permitia ao Estado desapropriar imóveis no Rio de Janeiro e uma comissão, da qual fazia parte Oswaldo Cruz, executa um plano com o objetivo de sanear, facilitar os acessos abrindo ruas e construindo um porto que daria vazão às importações e exportações brasileiras.

Abriu-se assim a Avenida do Mangue, retirou-se o Morro do Senado cujas terras serviram para levantar o terreno e acabar com as áreas que alagavam no centro da cidade com a subida da maré. Alargaram-se ruas do Centro, urbanizou-se parte da  Baía de Guanabara e iniciou-se a urbanização de Copacabana, entre outras reformas. Em 1906, a cidade já tinha cara nova.

Na Avenida Central as calçadas também foram em pedras portuguesas, obras realizadas por cerca de 30 calceteiros portugueses cedidos pela prefeitura de Lisboa, na praia de Copacabana, as calçadas em pedras portuguesas no padrão das ondas que se tornaram marca cultural carioca, são datadas de 1906.

Antes disto, no inicio da avenida central, indicado com nº1, foi construído o edifício da Escola Nacional de Belas Artes, atual Museu Nacional de Belas Artes e em frente o Teatro Municipal e a Biblioteca Nacional. A partir daí, os prédios seriam construídos a partir de um concurso internacional de fachadas e a avenida se tornaria o cartão de visitas da República. O uso do ladrilho hidráulico chegou a ser criticado por Lima Barreto em 1906: “Ontem se inaugurou a Avenida. Está bonita, cheia de canteirinhos, candelabros, etc. Mas os edifícios são hediondos, não que sejam feios. Ao contrário, são garridos, pintadinhos, catitas, mas lhes falta, para uma rua característica da nossa pátria, a majestade, a grandeza, o acordo com o local. Com a nossa paisagem solene e mística. Calculas tu que na cidade do granito, na cidade dos imensos monólitos do Corcovado, Pão-de-Açúcar, Pico do Andaraí, não há na tal Avenida-montra, um edifício construído com esse material!”.

Se não se usava o granito, nestas obras, os ladrilhos hidráulicos é que não faltaram. A cidade já os produzia, inclusive numa fabrica que teve que se mudar para as reformas do centro do Rio, conforme anúncio publicado por Antônio Alves Barbosa, na revista O Malho, de 12/03/1904:                                – “Ladrilhos, mosaicos, azulejos, mármores.  Tendo de mudar-se devido a seu depósito estar incluído nas desapropriações para as obras da Avenida, vende com grande redução nos preços todos os seus artigos, sendo os seus ladrilhos os mais bem fabricados no Rio de Janeiro.                                               Rua da Ajuda 26 e 37”.

Pisos: Confeitaria Colombo no centro RJ

Piso do Palacio do Catete 1858/1867

LADRILHO HIDRAULICO EM BELO HORIZONTE.

A cidade de Belo Horizonte foi projetada e construída entre os anos de 1860 e 1920. A primeira construção foi a sede da Comissão Construtora da Nova Capital, hoje sede do Arquivo Publico Mineiro e que foi sede da primeira CasaCor Minas em 1995, Na ocasião, a casa que estava fechada a 40 anos, tinha, no piso da varanda de fundos, um ladrilho hidráulico (original?), que foi preservado e valorizado com iluminação e um piso flutuante de vidro, no memorável projeto do arquiteto Carico. Provavelmente este piso foi produzido pela Minardi, uma das primeiras fabricas Belo Horizontinas, montada por imigrantes italianos.

A construção por Aarão Reis do palácio presidencial, do congresso, da justiça, e das secretarias de Estado e provavelmente as 370 plantas de casas e terrenos já previam o uso dos ladrilhos hidráulicos.

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